O diagnóstico tardio do câncer de intestino tem sido frequente devido à confusão dos sintomas com condições mais benignas. Em entrevista ao Dr. Kalil, especialistas alertam que a tendência de evitar consultas com proctologistas e recorrer a diagnósticos caseiros pode mascarar casos graves da doença.
Um dos principais problemas identificados é que um sangramento na região anal, por exemplo, são frequentemente associados a hemorroidas, o que leva muitas pessoas a não buscarem atendimento médico adequado.
“Hemorroida é o diagnóstico que acaba chegando de tudo que acomete sangramento na região proctológica, na região canal anal, isso atrasa o diagnóstico. E algumas vezes é um câncer”, alerta Sidney Klajner, cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista e presidente do Einstein Hospital Israelit.
Fatores ambientais e estilo de vida
O câncer de intestino é considerado um câncer ambiental, fortemente relacionado a fatores externos e hábitos de vida. “Nós sabemos que o câncer de intestino, em que pese totalmente prevenível e existe um componente hereditário, ele é um câncer ambiental. Ele é resultado do contato de nós com os carcinógenos ao longo de muito tempo”, explica Sérgio Araújo, diretor da rede cirúrgica do Einstein Hospital Israelita.
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Segundo Araújo, entre os principais carcinógenos associados ao desenvolvimento da doença estão os alimentos ultraprocessados, carnes embutidas e defumadas, como salsicha, linguiça e salame. “A carne vermelha, quando assada em altas temperaturas durante pouco tempo, também gera substâncias potencialmente cancerígenas que entram em contato com o intestino grosso”, explica o especialista.
Relação com outras doenças
Embora o câncer de intestino possa coexistir com outras condições como obesidade e diabetes, os especialistas esclarecem que não há uma relação direta entre essas doenças. O que ocorre é que compartilham fatores de risco semelhantes. “A correlação com outras doenças como obesidade e diabetes, ou mesmo doenças cardiológicas, é pela mesma exposição. Então, a mesma exposição ao sobrepeso, a mesma exposição ao tabagismo e a mesma exposição ao consumo de álcool”, esclarece Araújo.
Essas condições tendem a aparecer conjuntamente a partir dos 50 anos, mas não estão diretamente relacionadas entre si. O consumo de álcool e tabaco também figura entre os principais riscos para o desenvolvimento do câncer intestinal, reforçando a importância de hábitos saudáveis na prevenção da doença.
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