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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026

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Petrobras vê Margem Equatorial como caminho para repor reservas do pré-sal 

Magda Chambriard diz que descoberta de óleo confirma potencial da Margem Equatorial, mas ressalta que ainda são necessários estudos para determinar se achado é comercial

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Petrobras vê Margem Equatorial como caminho para repor reservas do pré-sal 
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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira (17) que a descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na costa do Amapá, reforça as expectativas da companhia sobre o potencial petrolífero da Margem Equatorial e pode, caso a viabilidade comercial seja confirmada, ajudar a compensar no futuro o declínio da produção do pré-sal.

N sexta-feira (14, a Petrobras anunciou que descobriu hidrocarbonetos em poço exploratório na Bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá. A entrevista ocorreu após uma comitiva que visitou à sonda NS-42, que faz a pesquisa exploratória no poço Morpho, em águas profundas do Amapá, na margem equatorial brasileira. Chambriard acompanhou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior; e o presidente do Senado Federal, David Alcolumbre.

“Descobrimos óleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59. É uma descoberta fruto de anos de trabalho, com tecnologia embarcada e muitos investimentos, e confirmou o potencial relevante de petróleo na Margem Equatorial, no litoral do Estado do Amapá”, disse Magda durante entrevista coletiva.

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A descoberta ocorre em um momento em que a Petrobras busca novas fronteiras exploratórias capazes de sustentar a reposição de suas reservas de petróleo e gás nas próximas décadas. Atualmente, cerca de 80% da produção da companhia vem do pré-sal. Segundo Magda, a abertura de novas áreas é necessária diante da perspectiva de declínio futuro da produção desses campos.

“Confirmando nossas expectativas, e tudo dando certo, é que temos o condão de produzir uma área que pode ajudar a recomposição das reservas da Petrobras e do Brasil a partir do declínio da produção do pré-sal”, afirmou.

O pré-sal foi determinante para o crescimento da produção brasileira de petróleo e ajudou a transformar o produto em um dos principais itens da pauta de exportações do país. A estratégia da Petrobras é encontrar novas reservas que possam entrar em produção à medida que os campos atualmente responsáveis pela maior parcela da produção nacional avancem em seu ciclo de maturação.

A exploração da Margem Equatorial também faz parte, segundo a companhia, de uma estratégia de descentralização dos investimentos da Petrobras, historicamente concentrados no Sudeste, principalmente nas bacias de Campos e Santos.

Apesar do resultado no poço Morpho, Magda ressaltou que a identificação de petróleo ainda não permite estimar quanto poderá ser produzido no local. A descoberta representa uma etapa inicial do processo exploratório. A Petrobras ainda precisa realizar estudos e novas perfurações para dimensionar os reservatórios e determinar se há volumes de petróleo suficientes para justificar economicamente o desenvolvimento da área.

“Esperamos muitos reservatórios”, afirmou a presidente da Petrobras, ao destacar que a companhia ainda possui outros poços previstos para serem perfurados na região.

O Morpho, de identificação técnica 1-BRSA-1405-APS, está localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros. A presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de perfis elétricos e indícios encontrados nas rochas durante a perfuração.

Segundo Magda, a perfuração do poço ocorre desde outubro de 2025 e custa aproximadamente US$ 1 milhão por dia. Depois de cerca de 300 dias de operação, o investimento associado à perfuração estaria, portanto, próximo de US$ 300 milhões.

A Petrobras é operadora e possui 100% de participação no bloco FZA-M-59. A área foi adquirida na 11ª Rodada de Licitações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), realizada em 2013, sob o regime de concessão.

A Margem Equatorial brasileira reúne cinco bacias sedimentares ao longo do litoral das regiões Norte e Nordeste e é considerada uma das principais apostas da indústria de petróleo para a abertura de novas fronteiras exploratórias no país. Segundo a empresa, existem atualmente 32 blocos na região.

Plano emergencial

A presidente também procurou destacar as medidas ambientais adotadas pela Petrobras para realizar a campanha exploratória na costa do Amapá. Segundo ela, não houve acidentes durante a fase de exploração até agora.

“Estamos ofertando o maior plano emergencial individual já visto para perfuração de águas profundas”, afirmou.

A Petrobras investiu aproximadamente R$ 150 milhões na montagem de um complexo de proteção e resposta ambiental relacionado às atividades exploratórias na região.

A questão ambiental foi um dos principais obstáculos enfrentados pela companhia para avançar com a exploração na Bacia da Foz do Amazonas. A Petrobras ainda trabalha na complementação de solicitações feitas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Mesmo com a identificação de hidrocarbonetos, a companhia ainda terá de percorrer um longo processo antes de saber se o FZA-M-59 poderá se transformar em um novo polo produtor. Os próximos trabalhos deverão buscar delimitar a extensão dos reservatórios, avaliar a qualidade das acumulações encontradas e calcular os volumes recuperáveis.

Somente depois dessas etapas será possível determinar se a descoberta é comercial e, em caso positivo, avaliar os investimentos necessários para colocar a área em produção.

FONTE/CRÉDITOS: robsonrodrigues
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