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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026

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Pfeifer: Enquanto Irã não se render, campanha militar continuará

Coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP afirma que Irã está em posição de vulnerabilidade frente à determinação israelense e americana

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Pfeifer: Enquanto Irã não se render, campanha militar continuará
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O Irã enfrenta uma intensa ação militar coordenada por Israel e Estados Unidos, com mais de 7 mil bombardeios direcionados a alvos estratégicos no país. Isso não vai cessar até os iranianos se renderem, segundo análise do coordenador do Grupo de Análise Estratégica da USP (Universidade de São Paulo), Alberto Pfeifer.

“É uma campanha continuada, metódica, para exterminar a liderança da revolução teocrática, todos os braços armados – com exceção, por enquanto, das forças armadas do Irã – estão sendo extirpados”, aponta Pfeifer.

Além dos chefes do regime, o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, miram na indústria balística de Teerã. Desde o começo do conflito, os iranianos mostraram ter uma forte capacidade de produção bélica – especialmente com drones. 

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Os equipamentos são baratos e podem ser montados em larga escala. O drone Shahed-136, que é produzido pelo regime dos Aiatolás, custa cerca de US$ 35 mil para ser construído – um míssil Patriot, muitas vezes utilizado para interceptá-lo, ultrapassa os US$ 4 milhões.

Somente os Emirados Árabes Unidos detectou 1.422 drones no seu espaço aéreo entre o dia 1° e 8 de março, segundo dados do Centro para Estudos Internacionais Estratégicos (CSIS, na sigla em inglês).

Pfeifer também aponta para a capacidade de outro armamento iraniano: os mísseis.

“O Irã tem alcance de mísseis de até 4 mil quilômetros de distância. Isso engloba toda a Europa, praticamente”, explicou. “A indústria balística [é] bastante avançada, própria… E aí está o foco de Israel e Estados Unidos.”

Mas os dois países têm apresentado motivos distintos para se manter na guerra.

O que EUA e Israel querem?

Pfeifer afirma que, para os israelenses, a motivação central é existencial – da mesma forma que é para os aiatolás. Netanyahu busca neutralizar “a capacidade de destruição em massa do Irã”. E, para isso, busca neutralizar os mísseis, suas fábricas, bases e lançadores.

“Mas, enquanto não se encontrarem 441 kg de urânio enriquecido a 60%, Israel não vai abrir mão da campanha”, diz.

Esse valor é suficiente para produzir por volta de 10 armamentos nucleares e é o centro das atenções de Washington e Tel Aviv desde o início dos bombardeios.

Já o lado dos Estados Unidos, se mostra indefinido. Trump já deu declarações de que o foco seria uma mudança de regime, só para depois dizer que estava concentrado na eliminação da ameaça bélica e falar em negociações de paz. Segundo o coordenador do Grupo de Análise Estratégica da USP, os ataques também envolvem o “domínio global”. Especialmente, impedindo os laços entre Irã e China se aprofundarem, principalmente com exportação de petróleo e tecnologia militar.

Pfeifer aponta que a estratégia de Teerã frente a isso é prolongar a guerra. “O fato é que o Irã está do lado fraco da equação militar e a cartada que os aiatolás têm é de demoverem a determinação de Donald Trump de continuar com o conflito”, afirmou o especialista.

Esse cenário, inclusive, seria melhor para o regime teocrático, porque pode fazer os Estados Unidos desistirem da campanha militar “pouco a pouco”. Mas, Pfeifer alerta: “como todo conflito: se começa, mas não se sabe onde termina.”

Conheça os grupos aliados do Irã contra Israel e EUA no Oriente Médio

* publicado por Danilo Cruz, da CNN Brasil, em São Paulo

FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites
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