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Por que jogadores do Barcelona usam bandagens nas mãos

O Barcelona vive mais uma sequência que alimenta a sensação de que tudo está funcionando dentro de campo. O time venceu as sete primeiras partidas de LaLiga e marcou 31 gols, números que naturalmente aumentam a atenção sobre os jogadores e também fazem ressurgir uma curiosidade que já apareceu em outros momentos: por que alguns …

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Por que jogadores do Barcelona usam bandagens nas mãos
O Barcelona vive mais uma sequência que alimenta a sensação de que tudo está funcionando dentro de campo. O time venceu as sete primeiras partidas de LaLiga e marcou 31 gols, números que naturalmente aumentam a atenção sobre os jogadores e também fazem re
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Por que jogadores do Barcelona usam bandagens nas mãos

O Barcelona vive mais uma sequência que alimenta a sensação de que tudo está funcionando dentro de campo. O time venceu as sete primeiras partidas de LaLiga e marcou 31 gols, números que naturalmente aumentam a atenção sobre os jogadores e também fazem ressurgir uma curiosidade que já apareceu em outros momentos: por que alguns deles entram em campo com as mãos, os dedos ou os pulsos enfaixados?

A pergunta ganhou força nas redes sociais durante a reta final da primeira temporada de Hansi Flick no comando da equipe, em 2025. Naquele momento, o Barça caminhava para conquistar LaLiga, a Copa do Rei e a Supercopa da Espanha, e começaram a circular teorias segundo as quais as bandagens serviriam para esconder marcas de agulhas.

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A especulação sugeria que os jogadores estariam recebendo algum tipo de substância por meio de injeções e usando os curativos para esconder os sinais. Não havia, porém, evidência que sustentasse essa versão. O assunto chegou a ganhar proporções maiores justamente em um período de grande desempenho do time.

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Raphinha decidiu responder publicamente à história antes de um clássico contra o Real Madrid, em maio daquele ano. E fez isso depois de uma semana em que o assunto também havia sido alimentado por uma declaração de Niko Mihic, então médico do clube madrilenho, em entrevista ao jornal “Marca”.

A resposta do brasileiro veio acompanhada de uma provocação que acabou virando uma das imagens mais marcantes daquele episódio. Depois de marcar dois gols na vitória por 4 a 3 sobre o Real Madrid, Raphinha apontou para a bandagem azul que cobria boa parte de sua mão direita diante das câmeras.

Raphinha rebateu insinuações sobre bandagens

Raphinha e Yamal se abraçam após gol do BarcelonaRaphinha e Yamal se abraçam após gol do Barcelona (Foto: Matthieu Mirville / ZUMA Press Wire / IMAGO)

Antes daquela partida, Raphinha havia classificado a teoria como mais uma tentativa externa de criar instabilidade no Barcelona.

— Durante toda esta temporada, pessoas de fora tentaram nos desestabilizar de todas as maneiras possíveis — disse ele à ESPN.

— A última teoria que inventaram foi que injetamos alguma coisa no corpo pelas mãos ou pulsos. É um absurdo, fazemos testes antidoping durante toda a temporada e ninguém é tão estúpido a ponto de fazer isso para obter vantagem.

Depois da partida, o atacante explicou por que havia apontado para a mão enfaixada após marcar um de seus gols: “Fiz aquela comemoração para que as pessoas parassem de falar besteiras e se concentrassem em seus próprios problemas”.

A questão, no entanto, não desapareceu. As bandagens continuaram aparecendo nas partidas do Barcelona e passaram a chamar ainda mais atenção justamente porque diferentes jogadores as utilizavam. Só que as histórias por trás delas são bem menos misteriosas do que as teorias criadas nas redes.

Lamine Yamal, por exemplo, contou que começou a usar o curativo depois de machucar os dedos em um episódio doméstico enquanto jogava PlayStation.

— No começo, eu tive que colocar o curativo porque fiquei com raiva enquanto jogava PlayStation, bati na tela da TV com a mão e machuquei os dedos. Elas incharam bastante, então tive que colocar uma bandagem. Depois percebi que a bandagem ficava muito bem em mim e que eu parecia o Karim Benzema. Lembro que meus amigos e eu brincávamos dizendo que eu seria o KB9. Continuei usando a bandagem depois disso porque acho que combina comigo.

A referência a Benzema não foi por acaso. O ex-atacante do Real Madrid também passou a usar uma faixa no pulso depois de sofrer uma lesão na mão. Como se sentia bem jogando daquela maneira, manteve o acessório mesmo depois de o problema deixar de exigir a proteção.

Quando o curativo deixa de ser necessidade e vira superstição

Pau Cubarsí, zagueiro do Barcelona e da Espanha, com proteção na região do polegar direitoPau Cubarsí, zagueiro do Barcelona e da Espanha, com proteção na região do polegar direito (Foto: Mutsu Kawamori / AFLOSPORT / IMAGO)

Gavi é outro exemplo que ganhou destaque nas redes sociais. Ele começou a usar a bandagem em janeiro de 2025, depois de fraturar um dedo durante um treinamento. O curativo tinha uma função clara: proteger a região e permitir que ele continuasse atuando. Com o tempo, porém, o jogador passou a associá-lo aos bons resultados da equipe e manteve o acessório como uma espécie de amuleto.

Pau Cubarsí também precisou proteger a mão por uma razão concreta. O zagueiro sofreu uma lesão no polegar direito na última rodada de LaLiga pelo Barcelona, contra o Alavés, e utilizou a bandagem durante a Copa do Mundo. No torneio, acabou eleito o melhor jovem da competição pela Espanha, que conquistou o título.

Há ainda o caso de Pau Víctor. O atacante fraturou a mão há quatro anos, quando defendia o Sabadell, e começou a jogar com a região protegida. A bandagem permaneceu depois que a necessidade médica passou e ganhou o mesmo caráter de amuleto que apareceu em outros casos. Atualmente no Braga, em Portugal, ele continua entrando em campo com a mão enfaixada.

A explicação dada por Niko Mihic, por sua vez, ajudou a colocar o assunto em um terreno mais amplo, embora sua declaração tenha sido feita sem que a pergunta tratasse especificamente dos jogadores do Barcelona. Ao ser questionado pelo “Marca” sobre a utilização de bandagens por jogadores de futebol, o então médico do Real Madrid respondeu:

— Pode ser que estejam criando jogos de estratégia, jogando muito futebol de mesa e sofrendo de tendinite… assim como pode ser que não tenham subornado Negreira —, disse ele, referindo-se aos pagamentos que totalizaram 8,4 milhões de euros feitos pelo Barcelona entre 2001 e 2018 ao ex-vice-presidente do comitê de árbitros espanhol, José Maria Enriquez Negreira, que vieram à tona em fevereiro de 2023.

Na sequência, Mihic fez uma observação sobre a anatomia das mãos e dos pulsos: “Não sei o que está acontecendo, mas o que quero dizer é que qualquer médico sabe que, se você quer acesso mais fácil às veias, é pelas mãos e pelos pulsos”.

— Não acredito em modismos. Não acho que um jogador use algo projetado para uma lesão ou fraqueza a menos que haja um motivo — completou.

Os exemplos dos próprios jogadores do Barcelona explicam por que uma imagem tão simples acabou ganhando proporções maiores. Fraturas, dedos machucados, proteção de lesões e até uma superstição criada depois de um período de sucesso aparecem nas histórias de quem utiliza as bandagens.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Calvano

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