As perdas salariais associadas à exclusão de pessoas LGBTI+ no Brasil já alcançam R$ 94,4 bilhões por ano.
O dado, apontado em estudo de 2026 do Banco Mundial, chama a atenção para trajetórias interrompidas, acesso desigual à educação e barreiras persistentes no mercado de trabalho. Nesse cenário, iniciativas de qualificação profissional ganham centralidade ao reposicionar a educação como ferramenta de transformação social.
Em meio a estes desafios, o projeto Casarão Brasil – Associação LGBTI se insere. Fundada em 2008 e sediada na região central de São Paulo, a organização atua na promoção da inclusão social, econômica e educacional de pessoas LGBTQIA+ e de outros grupos em situação de vulnerabilidade. Em maio, a entidade lançou o Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, com a oferta de 600 vagas gratuitas.
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“O estudo do Banco Mundial fez algo inédito para o Brasil nessa escala, ao traduzir discriminação em números econômicos. Quando você coloca isso em uma planilha, deixa de ser um debate moral e passa a ser uma questão de desenvolvimento estratégico”, afirma Rogério Oliveira, presidente do Casarão Brasil.
Segundo ele, a exclusão custa ao país não apenas em salários, mas em produtividade, arrecadação e desperdício de capital humano.
Quais são os cursos?
O programa surge como resposta direta a esse diagnóstico. Com cursos de panificação solidária, informática e letramento digital, costura ecológica e upcycling, além de um módulo integrado de empreendedorismo e cidadania, a formação combina capacitação técnica com preparação para o mundo do trabalho.
Cada curso tem 150 horas e foi desenhado a partir de demandas reais do mercado, com potencial tanto para inserção formal quanto para geração de renda autônoma.
“O programa ataca dois dos três principais obstáculos identificados, a lacuna de qualificação formal e a ausência de rede de apoio profissional. Não é um curso que termina e some. O estudante sai com formação e conexão com empresas que efetivamente o recebem”, explica Rogério. A articulação com parceiros comprometidos com a empregabilidade é parte central da estratégia, reduzindo o tempo entre a formação e a primeira oportunidade.
Trajetória escolar e perspectiva de vida
A relação entre educação e perspectiva de vida aparece, nesse contexto, como um fator determinante. Para muitas pessoas LGBTQIA+, especialmente trans e travestis, a trajetória escolar é marcada por interrupções causadas por violência, discriminação e rejeição familiar. “É uma cadeia que começa antes da entrevista de emprego. Quando a escolarização é interrompida, a qualificação formal fica comprometida, e isso impacta diretamente na empregabilidade”, afirma o presidente.
Para enfrentar também as barreiras de acesso, o programa adota um modelo descentralizado, com oferta de cursos em territórios onde o público vive e circula, além da sede no centro da capital paulista. A iniciativa reserva ao menos 50% das vagas para grupos prioritários, como pessoas trans, população LGBTQIA+ e pessoas vivendo com HIV, incluindo ainda migrantes, refugiados e egressos do sistema prisional. “Qualificação para essa população não é assistencialismo, é estratégia de desenvolvimento e reparação. Quando você devolve a possibilidade de trabalho formal, gera renda, pertencimento e autonomia”, completa Rogério.
Como participar?
As aulas são totalmente gratuitas e os participantes receberão um kit exclusivo contendo a apostila do curso.
Os interessados já podem realizar a inscrição por meio do formulário oficial de inscrição. O programa assegura acompanhamento contínuo e transparência na mensuração de resultados, buscando ampliar as oportunidades de inserção profissional e transformação social dos beneficiários.
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