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Manchester United e Roma se reencontrarão nesta terça na Champions League, e a Trivela faz um retrospecto sobre as seis partidas disputadas entre as duas equipes entre 2007 e 2008. No entanto, a maior parte das lembranças se resume a um resultado impressionante: 7 a 1.
A segunda maior derrota registrada nas quartas de final da Champions é uma marca dolorosa para os torcedores romanistas, que ainda sentem os efeitos daquela partida em Old Trafford. Apesar disso, os giallorossi haviam vencido o Manchester United na partida inicial. No ano seguinte, um novo confronto nas quartas de final ajudou o United em sua busca por reconquistar a Europa, após nove anos sem títulos continentais.
É importante mencionar que, na temporada anterior, o Manchester United havia passado por uma campanha desastrosa na Champions, não conseguindo sequer se classificar para a Copa da Uefa, terminando em último lugar em seu grupo. Por isso, em 2006/07, era necessário dar uma resposta. O time cumpriu bem seu papel, liderando um grupo que incluía Celtic, Benfica e Copenhague.
Nas oitavas de final, o United eliminou o Lille, que havia sido um dos algozes da campanha anterior, junto ao Benfica e ao surpreendente Villarreal. No entanto, a Roma parecia ser o primeiro grande desafio para os mancunianos nessa jornada.
Wayne Rooney reclama em jogo entre Manchester United e Lille. Foto: IMAGO / Bildbyran
Em abril daquele ano, o Manchester United já levava uma vantagem de seis pontos na liderança da Premier League, pronto para retomar o troféu após quatro anos. A Roma também realizava uma campanha respeitável na Serie A, embora estivesse distante de rivalizar com uma poderosa Internazionale, garantindo o vice-campeonato.
No torneio europeu, os giallorossi avançaram como segundos em seu grupo, atrás do Valencia e superando o Shakhtar Donetsk. Nas oitavas de final, o Lyon era o favorito, mas terminou sucumbindo com uma derrota por 2 a 0 no Gerland, com Totti se destacando com um gol e uma assistência.
Apesar de não ter o elenco mais estrelado sob o comando de Luciano Spalletti, a Roma contava com um Totti em grande fase, e uma formação que incluía Daniele De Rossi e Simone Perrotta, que haviam sido campeões mundiais meses antes. O time ainda tinha Christian Chivu, Philippe Mexès, Cristian Panucci, David Pizarro, Christian Wilhelmsson e Mirko Vucinic, além de uma legião brasileira com Doni, Mancini e Taddei. Contudo, isso parecia pouco diante do esquadrão que se formava do outro lado.
O goleiro brasileiro Doni em Roma x Manchester United. Foto: IMAGO / IPA Photo
É discutível se o melhor Manchester United sob o comando de Sir Alex Ferguson foi o do final da década de 2000, embora o impacto do time na década de 1990 tenha sido maior. Naquele período, a equipe contava com a estrela Edwin van der Sar.
A defesa era liderada por Rio Ferdinand, com Nemanja Vidic fora devido a lesão e John O'Shea ocupando seu lugar. Patrice Evra era reserva de Gabriel Heinze na lateral esquerda, enquanto Wes Brown atuava na direita.
No meio-campo, Paul Scholes e Michael Carrick conferiam solidez, enquanto Ryan Giggs e Cristiano Ronaldo se destacavam nas pontas. Wayne Rooney era a referência na frente, geralmente acompanhado por Louis Saha, com Fergie também contando com Henrik Larsson e o veterano Ole Gunnar Solskjaer.
Uma surpresa parecia possível quando a Roma venceu por 2 a 1 no Estádio Olímpico. Os giallorossi ameaçaram com cobranças de falta e conseguiram uma vantagem numérica aos 34 minutos, quando Scholes foi expulso. Não demorou para que os romanistas abrissem o placar, aos 44, com Taddei, que viu seu chute desviar e pegar Van der Sar desprevenido.
O United empatou aos 15 do segundo tempo, em uma assistência de Solskjaer para Rooney. No entanto, a Roma logo voltou à frente. Van der Sar não conseguiu defender um chute de Mancini e Vucinic marcou o rebote. Os giallorossi ainda pressionaram em busca do terceiro gol, mas o resultado foi suficiente. A partida também ficou marcada por confrontos nas arquibancadas entre torcedores e policiais.
Francesco Totti comemora gol de Marko Vucinic em Roma x Manchester United. Foto: IMAGO / BSR Agency
Na partida de volta, a impressionante vitória do Manchester United por 7 a 1 em Old Trafford foi um marco. Darren Fletcher entrou no lugar de Scholes e, apesar de alguns sustos no começo, o show dos Red Devils começou. Carrick abriu o placar aos 11, com um chute de longe que surpreendeu Doni. Seis minutos depois, Alan Smith fez o segundo gol, aproveitando a falha da defesa. O inglês estava em campo como titular pela primeira vez após 14 meses de recuperação.
Aos 19, Rooney fez o terceiro após cruzamento de Giggs. O resultado já era suficiente para garantir a classificação, mas o United não se contentou. Cristiano Ronaldo marcou o quarto aos 44, ao cortar a marcação e chutar no canto, novamente sem chance para Doni.
O intervalo trouxe um pouco de alívio para a Roma, mas o quinto gol chegou logo aos quatro minutos do segundo tempo, com Giggs cruzando para Cristiano Ronaldo completar. Rooney ainda tentou marcar do meio de campo, tal era a facilidade do jogo.
Carrick fez o sexto aos 15, com um chutaço que foi parar no ângulo. A Roma, ao menos, mostrou alguma luta e conseguiu marcar seu gol de honra, com De Rossi completando um cruzamento de Totti aos 24. Mas o Manchester United ainda fez mais um, com Evra marcando aos 36.
Após o jogo, Sir Alex Ferguson não escondeu sua felicidade: “Foi o nosso melhor jogo. Uma atuação fantástica de todos os jogadores. Você nunca espera um resultado como 7 a 1. A velocidade e a penetração do nosso jogo foram fantásticas. A qualidade foi tão alta que, assim que marcamos dois ou três, pensamos que algo grande aconteceria. A atmosfera estava maravilhosa e tenho certeza de que a torcida irá manter isso, agora que percebe como vale a pena apoiar o time”.
“O primeiro gol nos deu uma vantagem. Eles ficaram atrás no placar agregado e a nossa velocidade causou problemas. Agora, a equipe precisa seguir em frente e conquistar um título. A forma como estão jogando merece isso. Estou gostando, isso aponta o caminho a seguir. Dois anos atrás, contra o Milan, Rooney e Ronaldo eram apenas garotos, mas nesta noite jogaram como homens”, completou o treinador.
A humilhação sofrida pela Roma não trouxe grandes frutos na Champions, já que na semifinal o Milan eliminou os ingleses com uma grande atuação de Kaká. Enquanto isso, o United comemorou a Premier League. Por sua vez, a Roma teve como consolo a Copa da Itália, com uma goleada de 6 a 2 sobre a Inter na primeira partida da final.
O destino seria cruel na temporada seguinte, com mais quatro confrontos contra o Manchester United.
O primeiro deles na fase de grupos, onde o United venceu por 1 a 0 em Old Trafford, gol de Rooney no segundo tempo. As duas equipes já estavam classificadas quando se reencontraram no Estádio Olímpico, com os ingleses garantindo a liderança e usando vários reservas.
Gerard Piqué ganha no alto em Roma x Manchester United. Foto: IMAGO / Bildbyran
O United abriu o placar naquela partida com um jovem chamado Gerard Piqué, mas a Roma evitou a derrota, com Mancini marcando e fechando o placar em 1 a 1. Nas oitavas, os romanistas brilharam ao vencer o Real Madrid em ambas as partidas. Os mancunianos enfrentaram dificuldades para superar o Lyon, mas avançaram com mais facilidade na volta. Novamente nas quartas de final, as equipes se enfrentaram.
Ferguson não fez muitas adições no United, mas as chegadas de Owen Hargreaves, Anderson e Carlos Tevez deixaram o elenco mais forte. Além disso, a equipe se aproximava dos nomes consagrados, com Park Ji-sung ganhando espaço.
A Roma adicionou Juan à sua defesa e Alberto Aquilani se destacou, enquanto Cicinho e Ludovic Giuly eram opções. Contudo, as esperanças de classificação diminuíram quando Totti se lesionou, após ter se mostrado decisivo contra o Real Madrid.
Embora o Manchester United não tenha goleado a Roma como no ano anterior, impôs-se nos dois jogos. Na ida, no Estádio Olímpico, vitória por 2 a 0. O jogo começou complicado, especialmente após a lesão de Vidic, mas Scholes cruzou aos 39 do primeiro tempo e Ronaldo fez o gol de cabeça.
A Roma criou oportunidades para empatar, mas tomou o segundo gol na etapa final. Doni falhou em um cruzamento e Rooney não perdoou na pequena área. Ronaldo ainda teve chance de marcar o terceiro, mas acertou a trave.
Com a classificação quase garantida, o Manchester United venceu a partida de volta em Old Trafford, garantindo a classificação. Sir Alex Ferguson poupou alguns de seus principais jogadores, deixando Cristiano Ronaldo, Rooney, Giggs e Scholes no banco. A partida começou com boas defesas de Doni, mas o time da Roma não se ajudou.
Os romanistas ganharam um pênalti aos 29 minutos, mas De Rossi mandou a cobrança para as arquibancadas. Van der Sar foi ameaçado algumas vezes, mas o triunfo se confirmou aos 25 do segundo tempo, quando Hargreaves cruzou e Tevez marcou de cabeça. Gary Neville também teve a oportunidade de voltar a campo, após mais de um ano se recuperando de lesão.
De Rossi perde pênalti em Manchester United x Roma. Foto: IMAGO / IPA Photo
O Manchester United passou pelo Barcelona na semifinal, antes de conquistar a Champions contra o Chelsea. Desde então, os Red Devils não conquistaram mais a Orelhuda e buscam um segundo título na Liga Europa em quatro anos. A Roma pode não ter as lendas do passado, mas não se apresenta tão inferior aos Red Devils como em ocasiões anteriores.
A equipe romana terá a oportunidade de superar os fantasmas do passado em busca de sua primeira final continental desde 1991. Embora o favoritismo permaneça com o time de Ole Gunnar Solskjaer, provavelmente não será a ponto de levar sete gols novamente aos mancunianos.
*Este artigo foi originalmente publicado em abril de 2021 e atualizado em novembro de 2026
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