A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros voltou a elevar a tensão nas relações comerciais entre Brasília e Washington.
Para Thiago Godoy, apresentador do Resenha do Dinheiro, caso a medida de reciprocidade avance, os efeitos podem atingir de forma mais significativa os próprios Estados Unidos.
Além dos impactos econômicos, a decisão tem forte componente político, avalia Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.
“A política das tarifas acabou se tornando um subterfúgio para questões políticas e geopolíticas do Trump. Muitas vezes não há um argumento econômico, um embasamento econômico, há mais um desalinhamento político para a tomada dessas tarifas”, explica.
Os reflexos da medida também podem ser sentidos dentro dos próprios Estados Unidos. O aumento das tarifas tende a pressionar ainda mais os preços ao consumidor americano, em um cenário de inflação que já preocupa o país.
“Essa medida está sendo impopular para ele porque o próprio cidadão do país está sofrendo com essas tarifas”, analisa.
-
FMI elogia Pix mas cobra reforço institucional e financeiro para o BC
-
Brasil Soberano 3: Setores aguardam mais detalhes do pacote contra tarifaço
-
EUA farão anúncio sobre novas tarifas nesta quinta-feira, diz Casa Branca
No mercado financeiro, os impactos não são uniformes. Empresas mais dependentes das exportações para os Estados Unidos tendem a sentir os efeitos com maior intensidade, enquanto outras, com mercados diversificados, ficam relativamente menos expostas.
Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, explica que o movimento já provocou reações na bolsa brasileira.
“Para o investidor, você tem setores ganhadores e perdedores. Há uma preocupação grande com empresas como Alpargatas, do setor de calçados, que entram nesse rol de produtos tarifados. Já empresas como a Suzano exportam muito mais para a China e acabam não entrando nesse grupo de empresas prejudicadas”, destaca Marilia.
Em decorrência disso, o principal risco agora é que a troca de medidas evolua para uma guerra comercial.
“É uma negociação que o Trump usa como arma principal e ele quer ver a reação do Brasil. Se o Brasil usar a reciprocidade, imediatamente eles podem aumentar ainda mais as tarifas e isso pode criar uma guerra comercial”, acrescenta Fontes.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.
Comentários: