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Este sábado (31) traz um clássico onde a Inter de Cristian Chivu, atual campeã, ainda se apresenta com um desempenho superior. Contudo, o Milan de Rúben Amorim mostra sinais de recuperação, algo que não se via há tempos no San Siro. Os rossoneri permanecem invictos e Amorim se torna o terceiro treinador na história do clube a não perder nos primeiros oito jogos da Serie A, feito que não ocorria desde 1963.
Ainda que a Inter possua mais consistência, um modelo bem estabelecido e números ofensivos melhores, o Milan não entra apenas para tentar diminuir a diferença em relação ao rival.
A evolução do Milan de Amorim passa pela flexibilidade
O início de temporada do Milan foi repleto de altos e baixos. A equipe alternou entre bons desempenhos e momentos que evidenciaram fragilidades na criação e adaptação ao esquema de Amorim. No empate com a Juventus, por exemplo, o treinador criticou a falta de agressividade e energia do time, e a derrota por 2 a 0 para o Benfica na Liga Europa levantou questões sobre como o elenco se encaixava nas ideias do português.
Após enfrentar críticas por sua rigidez tática durante a passagem pelo Manchester United, o treinador começou a encontrar alternativas ao flexibilizar a formação da equipe. Em vez de um único desenho, passou a variar a formação de acordo com o adversário e os jogadores disponíveis.
Com essa flexibilidade, o Milan pode iniciar com três zagueiros e alas, mas também mudar para uma linha de quatro, preservando seus princípios. O elenco não foi montado exclusivamente para uma única estrutura, aproveitando a capacidade de progressão dos meio-campistas, a mobilidade dos atacantes e a qualidade técnica de jogadores como Luka Modric.
Ruben Amorim, técnico do Milan (Foto: Gonzales Photo / IMAGO)
Essa adaptação possibilita que Amorim mantenha o veterano croata, de 41 anos, mais protegido, sem exigir muito dele em um jogo de alta intensidade. A gestão de Modric também gerou controvérsia. A substituição do jogador no intervalo do empate por 2 a 2 com a Lazio, em setembro, rendeu críticas na Itália e na Espanha por parte da imprensa.
Após essas situações, os resultados têm melhorado. O Milan venceu a Atalanta por 3 a 2 e derrotou a Udinese por 2 a 0, entrando no clássico sem derrotas na Serie A. Com 18 pontos em oito rodadas, a equipe marcou 16 gols e sofreu sete. Embora não seja perfeita, já demonstra uma capacidade maior de competir mesmo quando não controla todas as fases do jogo.
A marca de invencibilidade é significativa, mas deve ser vista sob a perspectiva correta. Não garante que o Milan esteja apto a brigar pelo título até o final, nem apaga as dificuldades enfrentadas na Liga Europa. O que se percebe é que Amorim começa a encontrar um equilíbrio entre intensidade, flexibilidade e resultados. O dérbi agora se torna um parâmetro mais desafiador para avaliar o progresso do trabalho.
Inter é campeã que preservou estrutura e acrescentou agressividade
Por sua vez, a Inter chega ao clássico em uma posição confortável. Após oito rodadas, acumula 22 pontos, com sete vitórias e um empate, além de contabilizar 23 gols marcados e dez sofridos. O time de Chivu manteve a base do trabalho anterior e continua sendo capaz de dominar a posse, pressionar o oponente e criar superioridades em diferentes áreas do campo.
A principal escolha do treinador foi manter o esquema 3-5-2, já profundamente assimilado pelo grupo. A defesa com três zagueiros proporciona segurança para a construção das jogadas, enquanto os laterais oferecem amplitude e os meio-campistas variam entre organizar a posse e explorar os espaços próximos à área.
Carlos Augusto com o prêmio de melhor em campo na vitória da Internazionale sobre o Bologna (Foto: Massimo Paolone/LaPresse/Icon Sport)
A estrutura também favorece as combinações entre os atacantes, permitindo que Lautaro Martínez e Marcus Thuram alternem movimentos: um recua para participar da construção, enquanto o outro busca a profundidade. A proximidade entre eles possibilita tabelas rápidas, trocas de posição e finalizações na área. Quando a Inter consegue atrair a marcação para um lado, pode mudar o corredor e encontrar o lateral oposto em boas condições para cruzar ou avançar.
Como resultado, o time não depende de uma única forma de atacar. A Inter pode construir as jogadas com calma, acelerar por dentro, explorar a amplitude ou pressionar o adversário para recuperar a bola perto da área. Essa agressividade é sustentada por uma organização que permite à equipe continuar atacando sem perder completamente a proteção defensiva.
Esse conjunto de mecanismos ajuda a justificar a superioridade da Inter em relação ao Milan em termos de consistência. A equipe de Chivu não precisa reinventar sua identidade a cada jogo e já sabe como reagir quando o plano inicial não funciona. Mesmo diante de dificuldades, possui uma estrutura coletiva capaz de sustentar o resultado, como demonstrado na vitória por 2 a 1 sobre a Fiorentina, decidida nos acréscimos.
O que o dérbi pode revelar sobre a distância entre os rivais
O confronto testará as virtudes e fragilidades de ambos os modelos. Para o Milan, o desafio consiste em evitar que a Inter converta sua superioridade coletiva em domínio territorial. Se Amorim conseguir manter as linhas próximas e pressionar nos momentos certos, poderá dificultar a construção dos nerazzurri e criar oportunidades para ataques rápidos após a recuperação da bola.
A verticalidade pode ser uma arma crucial. Quando a Inter avança seus alas e os meio-campistas se aproximam da área, surgem espaços nas costas dos jogadores que ocupam os corredores. O Milan precisará reconhecer esses momentos e encontrar passes que permitam explorar a profundidade, ao invés de construir todas as jogadas desde a defesa. Uma equipe que alterna entre controle e transição é mais difícil de neutralizar do que outra presa a um único ritmo.
Gonçalo Ramos, atacante do Milan (Foto: IMAGO/IPA Sport)
Entretanto, essa estratégia apresenta riscos. Caso a pressão do Milan não seja coordenada, a Inter possui qualidade suficiente para superá-la e encontrar Lautaro ou Thuram em condições de atacar a última linha. Se os rossoneri recuarem em demasia, podem permitir que os alas de Chivu avancem, transformando a partida em um fluxo constante de cruzamentos e infiltrações. O Milan terá que decidir cuidadosamente quando pressionar e quando proteger os espaços.
Ademais, a Inter deve considerar a evolução do rival. A flexibilidade de Amorim dificulta a elaboração de um plano baseado em referências fixas. Se o Milan alternar entre três ou quatro defensores e modificar o posicionamento dos meio-campistas, isso poderá gerar dúvidas na pressão dos nerazzurri.
Outro fator a ser considerado é o desempenho recente nas confrontações diretas. O Milan venceu os três últimos dérbis e está há sete jogos sem perder para a Inter, sua maior sequência de invencibilidade no clássico em 21 anos. Esse retrospecto não elimina a superioridade da Inter no cenário geral do futebol italiano, mas ajuda a entender por que o duelo deste sábado assume uma importância especial para os rossoneri.
A questão, portanto, não é se o Milan já alcançou a Inter. As estatísticas e a consistência ainda favorecem os nerazzurri. O que se questiona é se a equipe de Amorim conseguiu criar condições para transformar uma boa sequência em uma candidatura real aos principais títulos, comprovando isso contra o adversário que simboliza a distância que precisa ser superada.
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