A NBA fechou sua única academia de treinamento de elite na África, segundo disseram atuais e ex-funcionários à Reuters, menos de uma década após a inauguração da unidade no Senegal, criada para preparar jovens africanos promissores para ligas profissionais nos Estados Unidos e em outros países.
A decisão de fechar a NBA Academy Africa, a primeira instalação desse tipo da liga no continente, foi um duro golpe para estudantes e jovens jogadores de todo continente, segundo relataram dois ex-funcionários.
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Michel Chikwanine, que atuava como consultor de desempenho e estilo de vida da academia, disse que a notícia desanimou jogadores africanos que estavam começando a ganhar confiança.
“Desde o momento em que contamos a eles, a confiança diminuiu, a confiança caiu”, afirmou.
Michael Abbott, ex-chefe de planejamento acadêmico da academia, disse que a decisão demonstrou falta de comprometimento com os estudantes.
“Eles não estavam tão empenhados neles como crianças quanto estavam no modelo de negócios”, afirmou.
NBA muda estratégia de desenvolvimento global
Em resposta às perguntas da Reuters, a NBA afirmou que a decisão reflete uma mudança em sua estratégia global de desenvolvimento do basquete. A liga já havia fechado academias no México e na Austrália.
Segundo a NBA, todo o treinamento será realizado em uma nova academia global, que será inaugurada em breve em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Em comunicado, a NBA acrescentou que continua investindo em talentos africanos por meio de outros programas e que o fechamento da academia não representa uma redução de seu compromisso com o continente.
A liga citou como exemplos a criação da Basketball Africa League, que concluiu sua sexta temporada, e o Basketball Without Borders, que organiza acampamentos de treinamento de elite para jovens em todo o mundo, incluindo na África.
Academia formou cerca de 110 estudantes
A NBA Academy Africa treinou cerca de 110 estudantes desde sua inauguração no Senegal, em 2018, segundo Abbott. Muitos deles seguiram para escolas e universidades de elite nos Estados Unidos. Os estudantes mais bem-sucedidos foram selecionados no Draft da NBA.
O camaronês Ulrich Kamka Chomche, formado pela academia, tornou-se o primeiro jogador do programa a ser selecionado no Draft da NBA, em 2024. Ele atuou pelo Toronto Raptors. Khaman Maluach, do Sudão do Sul e ex-aluno da academia, atualmente joga pelo Phoenix Suns.
Para o consultor de desempenho da academia, o fechamento limitará as oportunidades para jogadores africanos, que muitas vezes vêm de contextos difíceis e precisam de apoio específico.
Disputa global por vagas
Segundo ele, todos os jovens talentos africanos terão de competir globalmente por vagas na academia dos Emirados Árabes Unidos.
Chikwanine disse que a decisão da NBA reforçou uma percepção presente entre muitos africanos de que grandes empresas chegam ao continente afirmando que querem investir nas pessoas, mas, na realidade, estão interessadas apenas em ganhar dinheiro.
“Eles chegam com uma mentalidade de extração. Essa sempre foi uma realidade no continente africano. Existe uma enorme desconfiança que foi construída”, afirmou.
A NBA negou que o fechamento da academia vá limitar as oportunidades para jovens jogadores africanos. A liga afirmou que reunir todos os jovens jogadores em um único local permitirá que eles tenham maior exposição a treinadores profissionais e olheiros de todo o mundo.
“Estamos extremamente orgulhosos do impacto que a NBA Academy Africa teve e continuamos comprometidos com o desenvolvimento da próxima geração de jogadores africanos”, disse Troy Justice, vice-presidente sênior da NBA, em comunicado.
Justice acrescentou que várias outras iniciativas de desenvolvimento de jovens continuam em funcionamento no continente.
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