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Terça-feira, 02 de Junho de 2026

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Congresso reage aos decretos de Lula sem resolver nó das Big Techs

Legislativo reage às medidas do governo federal para plataformas digitais, mas segue sem consenso sobre uma regulamentação mais ampla do setor. Perspectiva de algum avanço nesta área de tecnologia é em relação à inteligência artificial

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Congresso reage aos decretos de Lula sem resolver nó das Big Techs
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A reação de parte do Congresso Nacional aos decretos editados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ampliar a responsabilização das Big Techs ocorre sem que o Legislativo tenha conseguido avançar nos últimos anos em uma regulamentação mais ampla das plataformas digitais. Também não há perspectiva de que um texto neste sentido seja aprovado até o final do ano, ainda mais com a proximidade cada vez maior das eleições.

Em maio, Lula assinou decretos que atualizam o Marco Civil da Internet, impõem regras mais rígidas para o funcionamento dessas empresas no país e ampliam a responsabilização delas por publicações criminosas. Em alguns casos, as plataformas passam a ser obrigadas a retirar conteúdos do ar após a notificação, antes mesmo de uma ordem judicial.

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As medidas provocaram forte reação da oposição, que já apresentou pelo menos 25 projetos para derrubar os decretos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que ainda vive uma relação estremecida com Lula, aguarda uma análise da consultoria jurídica da Casa para verificar se o governo extrapolou suas prerrogativas constitucionais ao editar as normas.

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Apesar da ofensiva aos decretos do governo, o Congresso não avançou de forma significativa na regulamentação das Big Techs desde que o chamado “PL das Fake News” foi retirado de pauta, em maio de 2023, para nunca mais voltar. Desde então, qualquer proposta mais estruturante sobre o tema ficou parada.

Um projeto mais recente do governo federal voltado à regulação dos mercados digitais está sendo discutido internamente, mas também segue sem data para votação.

Em meio a esse impasse, a principal possibilidade de avanço regulatório na área de tecnologia está hoje na discussão sobre inteligência artificial. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pediu ao relator da proposta, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que apresente um parecer sobre o tema até a terça-feira da semana que vem (9), após meses de discussões e negociações.

A expectativa é que o texto seja analisado pelo plenário ainda neste mês. No entanto, persistem divergências sobre pontos como o uso de obras protegidas por direitos autorais para o treinamento de sistemas de inteligência artificial.

Além disso, o calendário legislativo é considerado apertado por parlamentares, em razão do feriado de Corpus Christi, da copa do mundo de futebol, das festas juninas e das articulações políticas já voltadas às eleições.

Big Techs e STF

Na prática, os decretos presidenciais de Lula sobre big techs colocam em vigor entendimento já adotado anteriormente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a atualização do Marco Civil da Internet. Na próxima semana, a Corte vai julgar recursos para esclarecer pontos da ampliação dessas responsabilizações.

O debate sobre a atuação das plataformas marcou a abertura da 14ª edição do Fórum de Lisboa, em Portugal, que reumniu representantes dos Três Poderes nesta segunda-feira. Neste ano, o evento, encabeçado pelo ministro do STF Gilmar Mendes, tem como tema central a nova ordem internacional, tecnologia e soberania.

Ao abrir o fórum, Gilmar afirmou que o mundo vive um “tecnofeudalismo” e criticou as chamadas Big Techs.

“Os cidadãos assumem a condição de servos digitais. As empresas pagam taxas para operar nas plataformas administradas pelos novos ‘senhores da terra’, as big techs, que hoje pretendem subjugar e ver curvados diante de si os próprios Estados”, disse.

Na mesma linha, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que as plataformas utilizam algoritmos para manipular opiniões nas redes sociais.

“Nessa ingenuidade, não percebemos que as big techs pegaram dados de todos sem autorização. A partir dos algoritmos não randômicos se faz uma manipulação de dados para se realizar uma verdadeira lavagem cerebral nas chamadas bolhas”, declarou.

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FONTE/CRÉDITOS: pedropenteado
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