O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) anuncia sua terceira decisão de juros deste ano na noite desta quarta-feira (29).
Já é a segunda reunião da diretoria do BC desde o início da guerra no Oriente Médio, mas o cenário segue pesando sobre o colegiado. Os contratos de opção de Copom negociados na B3 indicam que cerca de 90% dos investidores bancam um novo corte de 0,25 ponto nesta reunião, levando a Selic a 14,5% ao ano. Antes de a guerra estourar, mais de 60% do mercado previa corte de 0,5 ponto, enquanto pouco mais de 3% acreditavam na redução mais branda.
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O próprio diretor de Assuntos Internacionais, de Gestão de Riscos Corporativos e de Política Econômica, Paulo Picchetti, disse no meio de abril que, apesar de não ter debatido sobre o ambiente macroeconômico doméstico e internacional com os seus colegas do colegiado, está claro que a situação ainda é de muita incerteza.
“As coisas definitivamente não melhoraram desde o Copom de março“, comparou.
Enquanto isso, o mercado repensa suas projeções e recalcula a rota dos juros e da inflação daqui para frente. Além das previsões, a posição cautelosa por parte dos agentes econômicos se reflete nas posições montadas pelos investidores.
Em 27 de fevereiro, um dia antes de o conflito estourar, 66% do mercado apostava em corte de 0,5 ponto percentual nesta reunião, segundo as opções de Copom. Outros 23% previam corte de 0,75 ponto, enquanto 3% acreditavam em queda de 1 ponto. 3,5% eram os que bancavam corte de 0,25.
De lá para cá, o cenário virou: na segunda-feira (27), último dia com informações disponíveis até o fechamento da matéria, 90,5% dos investidores colocavam suas fichas na redução mais branda, de 0,25 ponto. Outros 7,5% creem até em manutenção da taxa. Menos de 3% previam os cortes de maior magnitude.
As opções de Copom da B3 permitem que os investidores negociem contratos sobre a variação da taxa Selic, decidida a cada reunião dos diretores do BC.
Padronizado e negociado no ambiente listado, o contrato é, segundo a B3, “transparente quanto as expectativas de cenários por reunião, possibilita a negociação independente para cada decisão do comitê e amplia o leque de estratégias à proteção da carteira de investimentos”.
O boletim Focus também aponta um cenário semelhante: até antes da guerra, o mercado financeiro indicava que a Selic estaria em 14% nesta reunião, com um corte de 0,5 ponto em março e outro agora. A previsão não se concretizou.
Após a redução de 0,25 ponto na última reunião, os agentes econômicos também passaram a contar com corte de mesma magnitude agora em abril.
Chama atenção também na pesquisa que, apesar de os investidores verem espaço para mais quedas de juros ao longo do ano, as expectativas têm se deteriorado. O mercado enxerga cada vez mais os juros básicos do país num patamar maior que o esperado anteriormente. A ver.
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