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Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

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Pop da melancolia: como Olivia Rodrigo e The Cure conectam gerações

Cantora possui próprio estilo em "You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love", mas bebe da melancolia The Cure e outras referências melódicas do pós-punk dos anos 1980

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Por Estadão Rondônia
Pop da melancolia: como Olivia Rodrigo e The Cure conectam gerações
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Não parece certo definir Olivia Rodrigo apenas por artistas que são referência para ela. A artista já provou que tem estilo próprio ao se jogar nas composições confessionais e batidas pop punk em álbuns como “Sour” (2021) e “Guts” (2023). No entanto, o trabalho de resgate contínuo às raízes do gênero pode render um frescor e conexão entre gerações que cresceram ouvindo bandas como The Cure e New Order, e mostra como linguagens musicais que nasceram em épocas diferentes podem conversar pela mesma emoção. Entre vulnerabilidades e frustrações, até a romantização da tristeza por um amor que não foi para frente.

Se nos dois primeiros álbuns (“Sour” e “Guts”) Olivia apoiava-se no pop-punk e no grunge dos anos 90, o seu terceiro disco, “You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love”, mergulha de cabeça no pós-punk, gótico e na New Wave dos anos 80, especialmente ao final da década.

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O terceiro álbum de estúdio de Olivia Rodrigo foi aclamado pela crítica internacional, sendo apontado como o trabalho mais maduro e experimental de sua carreira.

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O álbum é um projeto conceitual dividido estritamente em duas partes contrastantes: o lado A (“Girl So in Love”) traz o otimismo do início do romance, enquanto o lado B (“You Seem Pretty Sad”) mergulha na melancolia e no desespero pós-punk.

A estrutura e instrumentação traçam paralelos diretos com grandes trabalhos alternativos, como o próprio The Cure, a exemplo do álbum “The Head on the Door” (1985) — que mistura o som melancólico com a batida pop — e os primeiros discos do New Order, “Movement” (1981) e “Power, Corruption & Lies” (1983).

Não à toa, Olivia Rodrigo e Robert Smith, vocalista do The Cure, já viraram amigos de profissão. No festival de Glastonbury, em 2025, Smith recebeu Rodrigo e, em conjunto, ambos cantaram “Just Like Heaven” — faixa que ganhou referência nos versos iniciais do single da cantora, “Drop Dead”: “You know all the words to “Just Like Heaven”.

Agora, a conexão entre a maior estrela pop da Geração Z e a lendária banda pós-punk dos anos 1980 deixou de ser apenas conceitual para se tornar uma parceria real na música.

O primeiro feat da carreira de Olivia, em “What’s Wrong with Me”, acontece com um artista que representa uma das principais bases emocionais do som que ela vem construindo. O estilo melancólico e quase “chorado” da voz de Robert Smith encontra espaço na interpretação de Olivia, que alterna entre sussurros vulneráveis nos versos e explosões confessionais nos refrões.

Universalidade do “Desespero Adolescente”

O The Cure construiu sua identidade em torno de letras sobre solidão, insegurança, amor e angústias existenciais, enquanto Robert Smith se tornou uma das vozes mais reconhecidas do rock alternativo por unir uma interpretação vulnerável a melodias que permanecem acessíveis. Décadas depois, Olivia Rodrigo trabalha com uma lógica parecida ao transformar experiências pessoais, términos e inseguranças em hinos compartilhados por uma nova geração.

Musicalmente, ambos os artistas ocupam o papel de confidentes dos sentimentos mais profundos da juventude. Nos anos 1980, o The Cure traduziu o isolamento social, as crises de ansiedade e as dores de amor em melodias góticas e melancólicas.

Olivia Rodrigo busca fazer o mesmo atualmente ao cantar sobre não conseguir sair da cama ou sentir o peito pesado. Independentemente de ser em 1989 ou em 2026, a vulnerabilidade e o coração partido soam exatamente iguais.

Olivia Rodrigo: 5 curiosidades para conhecer a cantora

FONTE/CRÉDITOS: nicolybastos
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