O preço futuro da soja fechou a sessão desta sexta-feira (11) em forte queda na Bolsa de Chicago, após o relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) surpreender o mercado com uma revisão para cima na estimativa de produção norte-americana. O contrato com vencimento em novembro recuou 2,68%, a US$ 12,96 por bushel.
Segundo Ronaldo Fernandes, da Royal Rural, o mercado trabalhava com a expectativa de redução da produção de soja dos Estados Unidos. A projeção estava em cerca de 123 milhões de toneladas, e os agentes esperavam um corte para aproximadamente 122,5 milhões de toneladas. O relatório, porém, trouxe uma direção diferente, com a estimativa elevada para 123,4 milhões de toneladas.
“O mercado esperava um corte e veio um aumento de produção”, avaliou Fernandes. Para ele, o número reforça a percepção de uma oferta maior do que a esperada justamente em um momento em que as cotações vinham incorporando projeções mais baixas para a safra norte-americana.
Outro ponto destacado pelo analista foi o comportamento das exportações dos Estados Unidos. O mercado esperava uma revisão mais significativa nas vendas externas de soja, mas o USDA promoveu um ajuste mais limitado.
Na avaliação de Fernandes, o relatório deixou uma mensagem negativa para os preços em que há mais soja disponível do que o mercado projetava, enquanto o ritmo de exportações não deve crescer tanto quanto se esperava.
O movimento também ocorre após semanas de alta das cotações, período em que o mercado havia incorporado indicadores de produtividade mais baixos para a safra norte-americana.
Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, destacou que os dados divulgados agora foram confrontados pelo mercado com as estimativas do Pro Farmer Crop Tour, realizado no mês passado. Na ocasião, os números apontaram produtividades abaixo das estimativas do USDA tanto para soja quanto para milho.
As projeções do Pro Farmer passaram a servir como uma referência para os investidores, em um ambiente que também foi marcado pela piora nas condições das lavouras e pela preocupação com a seca em algumas regiões produtoras dos Estados Unidos.
Milho
O contrato futuro do milho para dezembro fechou o dia com queda de 0,66%, a US$ 5,30 por bushel, na Bolsa de Chicago. O movimento refletiu o relatório de oferta e demanda do USDA, que trouxe uma redução menor que a esperada na produção americana, além de um corte de 3,8 milhões de toneladas no consumo interno.
Segundo Ronaldo Fernandes, da Royal Rural, o mercado esperava uma redução de cerca de 6 milhões de toneladas na produção dos Estados Unidos. O USDA cortou 5,4 milhões. Já a redução do consumo doméstico não era esperada e levantou dúvidas sobre o desempenho da demanda por etanol e ração.
Para Fernandes, as exportações americanas, que seguem fortes, devem ser o principal ponto de atenção daqui para frente.
No Brasil, o USDA elevou a estimativa de produção de milho de 140 milhões para 141 milhões de toneladas e reduziu a projeção de exportações de 42 milhões para 40 milhões de toneladas. Fernandes, porém, considera a produção brasileira superestimada.
Trigo
O contrato futuro do trigo para dezembro fechou esta sessão com queda de 2,15%, a US$ 7,25 por bushel, na Bolsa de Chicago.
Segundo a Granar, os preços recuaram nos mercados americanos antes da divulgação do relatório do USDA, com investidores mais inclinados a realizar lucros. O cenário também é influenciado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, que mantém restrições às exportações pelo Mar Negro devido a problemas de segurança e danos em terminais.
As vendas de trigo dos Estados Unidos para a safra 2026/27 somaram 194,2 mil toneladas entre 28 de agosto e 3 de setembro, abaixo das 313,5 mil toneladas registradas anteriormente e da expectativa dos analistas, que variava de 245 mil a 490 mil toneladas.
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