Após o anúncio, nesta quinta-feira (23), de uma nova tarifa de 12,5% sobre os produtos brasileiros enviados aos Estados Unidos, entidades representantes da indústria pediram diálogo e a continuação das negociações entre Brasília e Washington.
Em nota, a Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) reforçou a continuidade das tratativas como solução para reverter as sobretaxas, ampliar a previsibilidade para empresas e investidores e avançar na construção de uma agenda bilateral positiva.
“A Amcham Brasil reitera que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros”, finaliza.
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O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, também se manifestou sobre a decisão do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), após reunião com o ministro Marcio Elias Rosa, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços).
Em conversa com jornalistas, ele falou sobre a avaliação da entidade em relação ao tom e as mensagens passadas pelo governo brasileiro após a confirmação das tarifas.
“Quando começou aquele tarifaço de 50%, que nós fomos a Washington com a missão de empresários, nós conversamos muito com o Mdic e naquela época ainda o vice-presidente Alckmin, onde nós solicitamos todos de que não houvesse nenhum tipo, apesar de plena aprovação da lei de retaliação, que não houvesse retaliação e que nós tenhamos conversado. Isso foi ouvido, foi acatado e foi seguido”, afirmou.
Alban completou ainda que a entidade tem a visão que o mesmo vai acontecer agora, e afirmou que o empresariado brasileiro segue dialogando com o empresariado americano para construi o diálogo.
Já a Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), também em nota divulgada nesta quinta-feira (23), aposta na intensificação imediata das negociações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos como o principal caminho para reduzir ou “modular a nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano”.
A entidade também cobra uma atuação firme, técnica e coordenada do governo brasileiro para buscar a ampliação das exceções e a garantia de regras claras para as empresas, de modo a evitar o agravamento das barreiras impostas ao comércio entre os dois países.
Cumulatividade de tarifas
O presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) comentou sobre a perda de competitividade da indústria brasileira com a cumulatividade as duas tarifas, de 25% e de 12,5%.
“O setor de máquinas vai ser tarifado agora em 25%, mais 12,5%, então em 37,5%. Isso tira a nossa competitividade em relação a máquinas e equipamentos que são fabricadas lá nos Estados Unidos, nós vamos ficar com uma tarifa de 37,5% e eles não têm. Como existem fabricantes concorrentes aos nossos lá nos Estados Unidos, isso é um grande problema.”
O chefe da entidade disse ainda que entende que essa decisão é política, uma vez que ela foi tomada para fazer frente à decisão da Suprema Corte norte-americana de fevereiro, que proibiu o governo Trump de tarifar produtos importados sem uma motivação jurídica ou uma investigação.
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